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O Tarô é um livro infinito, imaginado, sem palavras, formado por figuras, cores, letras, números, formas geométricas e outros símbolos, dispostos em 22 arcanos maiores e 78 menores e demanda uma leitura diferente daquela exigida pelo formato Gutenberg. Cabe ao intérprete, pela manipulação aleatória das cartas, dispor uma sequência, propor uma combinação, construir uma narrativa que é apenas uma de múltiplas rotas de significação. A leitura do Tarô, assim, concilia um programa ou conjunto de regras com a intervenção do acaso. Os tarôs mais antigos, como o Tarô de Marselha, surgiram na Europa entre 1392 e 1450, pintados por artistas anônimos, o que dificulta a investigação histórica. Durante muito tempo, os estudiosos apontaram uma possível origem cigana do Tarô, tese atualmente refutada pelos especialistas contemporâneos. Mas é possível que sejam, afinal de contas, parte do saber dos ciganos. O que se sabe de fato é que o Tarô, no final do século XV, era bem conhecido nas cidades italianas de Veneza, Milão, Florença e Urbino. Seja qual for a gênese dessa obra enigmática – egípcia, judaica, florentina, cigana –, é inegável a presença de sinais alquímicos, astrológicos e cabalísticos de diferentes épocas e culturas em cada carta. O leitor, convertido em arqueólogo, deve decifrar não apenas as figuras alegóricas do Carro, da Torre, do Sumo-Sacerdote, da Estrela, do Sol e de outros atores desse teatro arquetípico, mas também o que está em cima, embaixo, à esquerda e à direita. Tudo tem significado, nada é casual, e o sentido de uma carta se relaciona com o de outras que estão próximas, como os elementos de uma frase. Livro iniciático, misterioso, o Tarô despertou o interesse de ocultistas como Eliphas Levi, Papus, Aleister Crowley, de artistas plásticos como Salvador Dalí, de poetas e escritores como Alberto Pimenta e Sylvia Plath, de psicanalistas como Jung, e também dos poetas brasileiros contemporâneos Monica Berger e Sérgio Viralobos, que se lançaram à tarefa de refabular a cornucópia de histórias do baralho mágico neste ótimo livro de poemas, A caverna dos destinos cruzados, que o leitor tem agora em mãos. A jornada começa com o poema de título homônimo, construído na forma de conto de fadas, que funciona como prelúdio da trama; nele aparecem dois personagens desenvolvidos pelos autores, não pertencendo ao repertório de símbolos do Tarô, mas presentes em todas as pequenas narrativas poéticas do volume: a Pantera e o Lobo. Em seguida, lemos 22 poemas que dialogam diretamente com os arcanos maiores do Tarô. À miscigenação ou hibridismo de gêneros, soma-se o diálogo criativo entre os textos poéticos e as imagens concebidas por Leonardo Chioda, que além de artista gráfico é poeta e tarólogo. Ele reimaginou as figuras arquetípicas dos arcanos especialmente para esta obra. Em síntese, o leitor tem aqui uma obra de extrema originalidade, que irá encantar desde os pesquisadores do Livro de Thot até os que desejam apenas ler boa poesia, imaginativa, articulada e bem construída como artefato artístico. (Claudio Daniel)
Monica Berger: formada em Letras pela PUC-Paraná e pós-graduada pela UFOP-MG, onde foi professora de Linguística; ministrou oficinas literárias pela Fundação Cultural de Curitiba. Publicou o livro Poikilóthron (2016) e participou da antologia poética Blasfêmeas, mulheres de palavra (2016). Sob o pseudônimo de Zoe de Camaris começou seus estudos relacionados ao Tarô nos anos 80, como autodidata. Mais tarde incluiu o Tarô nos estudos de especialização, no intuito de revalidá-lo como um sistema de linguagem visual adequado às prática interdisciplinares, na leitura do universo cinematográfico, literário e das Artes Plásticas.
Sergio Viralobos: Criou e participou, como vocalista e compositor, da Contrabanda e do Beijo AA Força, que são reconhecidas como bandas seminais do novo rock curitibano. Atualmente é cantor na Orquestra Sem Fim. Escritor e poeta publicou em parceria com grandes poetas curitibanos: Dois mais dois são três em um (1983), Perolas aos poukos (1988), Os catalépticos (1990), Eu, aliás, nós (1995), Um Fausto (1996), Não temos nada a perder (2006) e Presença de espíritos (2012). Em 2014, publicou seu primeiro livro solo Piada louca. Em 2013, participou da antologia Fantasma civil, projetada por Ricado Corona. Em 2014, foi incluído na antologia 101 poetas paranaenses, organizada por Ademir Demarchi, para a Biblioteca Pública do Paraná.
Leonardo Chioda: escritor, artista gráfico e um dos principais nomes do Tarot no Brasil. É graduado em Letras pela UNESP com intercâmbio na Università degli Studi di Perugia. Doutorando do programa de Literatura Portuguesa da USP, desenvolve uma tese sobre poesia e alquimia. Tem poemas publicados e traduzidos em revistas e antologias, e é autor do livro PÓTNIA (Selo Demônio Negro). Assina o Café Tarot, com ensaios e artigos sobre o oráculo, e é um dos especialistas do portal Personare.
