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Autor: Ademir Assunção
Brochura - 13x20 cm - 128 págs
ISBN 978-65-85570-00-8

 

TRÊS LANCES

1. O JOGO DE XADREZ
O Peão Robocop avança uma casa em direção ao Peão Travesti. Atormentado pelas recordações das suas vítimas, o Peão Miliciano protege-se à sombra do Bispo Glutão, sempre exigente de dízimos cada vez maiores. Sob as tetas da Família Real, não faltam dólares para o Peão Publicitário cumprir sua régia missão: transformar o pavoroso conto de terror cotidiano em mavioso conto de fadas. Mas as velhas fórmulas não estão funcionam bem. O Palácio Imperial fede, o Cavalo mija nos jardins da Rainha, os fantasmas que habitam a Torre arrastam correntes e ninguém no reino consegue dormir em paz.

2. O HOMEM SEM CHÃO
Sem que os antigos moradores se dessem conta, hienas invadiram a ilha, tomaram posse do farol que orientava os navegantes, estrangularam o ritmo da música e acabaram com as festas. Desorientadas, sem chão, sem céu, sem horizonte, figuras exaustas são vistas por todos os lados transportando inúteis cavalos mortos nas costas. Homens-boi mugem mansamente pelos pastos, mirando com olhares gentis e vazios as mulheres que dançam nos fins de tarde. Apesar do cheiro agradável adentrando suas narinas, nada altera o tédio causado pelo espírito domesticado.

3. POEMAS PROSAICOS
O padre, o jornaleiro, a florista, Jack, o Estripador, os filósofos, os jornalistas, os cartógrafos e até os iogues, todos estavam convencidos de que havia um mundo bem ali, debaixo de seus narizes. Um mundo que se expandia em todas as direções possíveis. Porém, depois que os países se tornaram mercados emergentes, cada habitante uma inefável possibilidade de lucro e o véu quase invisível do Universo Matrix cobriu a atmosfera terráquea, todos estão queimando pestanas para descobrir onde, raios, afinal, aquele velho mundo foi parar.

XEQUE-MATE
Em três jogadas executadas com estratégias diferentes – 1. tercinas não rimadas, 2. fluxo de consciência pontuado por sinais gráficos, 3. versos livres tão em voga para muitos daqueles que desconhecem a variedade de recursos da poesia – este livro nos coloca frente a uma interrogação aterradora: diante da banalização, falsificação, mercantilização e esvaziamento das palavras, estaremos todos nós numa calamitosa situação de xeque-mate?

 

 

Sobre o autor
Ademir Assunção é poeta e jornalista. Publicou livros de poesia, contos, romance e jornalismo, entre eles A Voz do Ventríloquo (prêmio Jabuti 2013), Pig Brother, Zona Branca, Risca Faca, Ninguém na Praia Brava e Faróis no Caos. Gravou os cds de poesia e música Rebelião na Zona Fantasma e Viralatas de Córdoba. Foi um dos editores da revista literária Coyote, junto com os poetas Rodrigo Garcia Lopes e Marcos Losnak. Desde 2021 desenvolve uma série de poemas cinéticos, utilizando computação gráfica e colagens sonoras. É praticante de Kenjutsu, a arte da espada samurai.