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Autor: Claudio Daniel
Brochura - 16x23 cm
170 págs - Colorido
ISBN 978-65-85570-32-9

Desde meados do século XX a poesia radicalmente verbivocovisual de Augusto de Campos causa estranheza, incômodo e até irritação aos leitores alinhados a uma visão mais tradicional da “arte do verso” – assim como desperta o fascínio de sucessivas gerações daqueles mais preparados para inovações estruturais no terreno da arte que vai muito além do verso. Seus poemas-objetos, visuais, espaciais, holográficos, digitais, que questionam não apenas as páginas do livro tradicional, mas a própria linearidade do discurso verbal, portam-se como uma esfinge, exigindo a participação ativa do leitor para decifrá-los e, ao mesmo tempo, desafiando os limites da compreensão do mundo das palavras. Neste Re-visão de Augusto de Campos (uma leitura pessoal), o poeta-crítico Claudio Daniel apresenta chaves teóricas e interpretativas para o leitor interessado abrir as portas de poemas aparentemente impenetráveis. De quebra, se empenha também em analisar a fase inicial de AC, que compreende os conjuntos de poemas O Rei Menos o Reino, O Sol por Natural, Ad Augustum Per Augusta e Os Sentidos Sentidos – nos quais detecta um interessante percurso que vai das alusões à Lautréamont (uma das referências basilares dos “poetas malditos” do século XIX) à radical explosão da linguagem levada à cabo pela Poesia Concreta, ainda hoje mais combatida do que compreendida.      (Ademir Assunção)

 

 

Sobre o autor
Claudio Daniel é poeta, tradutor e ensaísta. Doutor em Literatura Portuguesa na Universidade de São Paulo (USP), foi diretor adjunto da Casa das Rosas, Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura, em 2007, curador de Literatura no Centro Cultural São Paulo entre os anos de 2010 e 2014 e colunista da revista CULT. Sua obra poética foi traduzida parcialmente para o inglês, espanhol, italiano e japonês. Entre os seus livros de poesia mais recentes estão Marabô Obatalá (Kotter, 2020), Sete olhos e outros poemas (Córrego, 2021), Dialeto açafrão (sob o céu de Gaza) (Kotter, 2024) e Cabeza de serpiente emplumada (Arribaçã, 2025).  No campo da prosa de ficção, publicou Mojubá (2021) e A casa das encantadas (2023), que fazem parte de uma trilogia que será concluída com o livro Janaína, em fase de criação, e ainda o volume de contos Romanceiro de dona Virgo (2004). Atualmente, Claudio Daniel é editor da revista eletrônica de poesia e debates Zunái.